Pesquisa aponta que 69% dos consumidores online admitem fazer compras não planejadas e 41% já gastaram mais do que podiam em aquisições pela internet
A facilidade de comprar pela internet, a influência das redes sociais e o excesso de promoções têm levado cada vez mais brasileiros a realizar compras por impulso. O comportamento acende um alerta para o risco de descontrole financeiro, principalmente em um cenário de juros elevados e aumento do comprometimento da renda das famílias.
Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, mostra que 69% dos consumidores online nas capitais admitem realizar compras não planejadas pela internet. O levantamento também revela que 41% já gastaram mais do que poderiam nessas compras.
O hábito de consumir sem planejamento também cresceu nos últimos anos. Em 2025, 10% dos entrevistados afirmavam comprar por impulso quase sempre. Em 2026, esse índice chegou a 14%. Já os consumidores que dizem comprar frequentemente passaram de 15% para 19%. Juntos, os dois grupos representam atualmente um terço dos compradores.
Segundo a CNDL, o comportamento preocupa porque compras feitas sem planejamento podem comprometer o orçamento e dificultar o pagamento de despesas essenciais.
“Em um ambiente econômico no qual o custo elevado do crédito e o comprometimento da renda dificultam a organização financeira, compras não planejadas podem agravar o endividamento”, destaca o presidente da entidade, José César da Costa.
Compras impulsivas já causam atrasos em contas
O impacto desse comportamento aparece diretamente no pagamento das despesas. De acordo com a pesquisa, 36% dos consumidores que compram por impulso já contraíram dívidas ou atrasaram compromissos financeiros por causa dessas aquisições online.
Entre os jovens de 18 a 28 anos, o percentual é ainda maior: 45% afirmam já ter enfrentado problemas financeiros após compras não planejadas.
O cartão de crédito é o principal compromisso afetado, citado por 15% dos entrevistados. Na sequência aparecem outras contas (11%), serviços de internet (8%), telefone (5%) e energia elétrica (5%).
Promoções e redes sociais estimulam consumo imediato
As promoções seguem como o principal gatilho para compras impulsivas na internet. O levantamento aponta que 57% dos consumidores são influenciados por ofertas e descontos.
Outros fatores que estimulam as compras são:
- Frete grátis: 48%;
- Descontos por tempo limitado: 27%;
- Novos produtos e lançamentos: 26%;
- Avaliações positivas de outros consumidores: 20%.
As redes sociais também possuem papel importante nesse comportamento. Mais da metade dos consumidores que compram por impulso (58%) afirma já ter adquirido algum produto após assistir vídeos no Instagram, TikTok ou YouTube.
Além disso, 18% dizem que acabam comprando produtos simplesmente porque encontraram algo de que gostaram enquanto navegavam pelas redes sociais.
Entre os itens mais comprados por impulso estão:
- Roupas, calçados e acessórios: 37%;
- Comidas e bebidas por delivery: 32%;
- Cosméticos, perfumes e produtos de beleza: 30%;
- Produtos para casa: 28%;
- Eletrônicos e itens de informática: 15%.
Emoções também influenciam decisões de compra
O levantamento mostra que o consumo impulsivo não está relacionado apenas às promoções. Questões emocionais também aparecem como fatores que levam às compras sem planejamento.
Entre os principais motivos estão:
- Necessidade de recompensa: 18%;
- Momentos de felicidade ou comemoração: 17%;
- Busca por prazer, pertencimento ou sensação de poder: 12%;
- Tédio ou sensação de vazio: 12%;
- Baixa autoestima: 11%.
A solidão também ganhou espaço entre os fatores apontados pelos consumidores, passando de 5% em 2025 para 9% em 2026. A tristeza também aumentou de 6% para 9% no período.
Mesmo com esses fatores emocionais, 43% dos entrevistados afirmam nunca ter refletido sobre os motivos que os levam a comprar por impulso.
Após as compras, os sentimentos negativos predominam. A pesquisa aponta que 59% relatam algum impacto emocional, como arrependimento (17%), incômodo pela falta de controle (15%), ansiedade por novas compras (12%), culpa (11%) e medo de não conseguir pagar as dívidas (10%).
Planejamento financeiro ajuda a evitar problemas
Especialistas recomendam atenção principalmente às compras parceladas, que podem parecer pequenas no momento da aquisição, mas comprometem a renda dos meses seguintes. Entre as medidas para evitar o endividamento estão acompanhar os gastos no cartão de crédito, avaliar se a compra é realmente necessária e evitar decisões motivadas apenas por promoções ou ofertas com prazo limitado.
A orientação é esperar antes de finalizar uma compra e analisar se o produto é uma necessidade real ou apenas um desejo momentâneo. Em um ambiente digital cada vez mais voltado para estimular o consumo, o controle dos gastos e o planejamento financeiro se tornam ferramentas importantes para evitar o acúmulo de dívidas e preservar o orçamento familiar.
A pesquisa foi realizada com homens e mulheres maiores de 18 anos, de todas as classes econômicas, que realizaram compras pela internet nos últimos 12 meses. A coleta ocorreu entre 25 de maio e 4 de junho de 2026, com 800 consumidores, margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
