Resultado da eleição amplia desafio de conciliação entre governo federal e setor produtivo, aponta análise da Fecomércio SC

O resultado das urnas nas eleições de 2026 criou um novo cenário político para o Brasil, com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República e uma forte presença de partidos de direita e centro no Congresso Nacional e nos governos estaduais. A avaliação é de que o próximo mandato precisará conciliar mensagens diferentes dadas pelo eleitorado ao longo do processo eleitoral.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos em um universo superior a 158 milhões de eleitores. O resultado confirmou uma disputa equilibrada e um país politicamente dividido.

Enquanto o Executivo federal ficou com a continuidade do atual governo, o Congresso Nacional e boa parte dos governos estaduais eleitos anteriormente apresentaram uma composição mais alinhada à direita e ao centro. Para representantes do setor produtivo, a principal expectativa é que o novo governo consiga avançar em pautas econômicas por meio de diálogo e negociação.

Santa Catarina mantém perfil político mais alinhado à direita

Em Santa Catarina, o resultado reforçou a tendência política apresentada nas demais disputas eleitorais. Flávio Bolsonaro recebeu 3,22 milhões de votos no Estado, equivalente a 69,42% dos votos válidos, vencendo em 289 dos 295 municípios catarinenses.

Lula obteve 30,58% dos votos, mas foi o candidato que apresentou maior crescimento entre o primeiro e o segundo turno no Estado. O desempenho confirmou a preferência do eleitor catarinense por uma composição política semelhante à escolha feita para Governo do Estado, Assembleia Legislativa e bancada federal.

Empresários apontam carga tributária e juros como principais desafios

A Fecomércio SC, a partir da consulta com 483 empresários dos setores de comércio, serviços e turismo, identificou os principais obstáculos enfrentados pelo setor produtivo catarinense.

A carga tributária foi apontada como o maior problema, com nota 9,1 em uma escala de avaliação. Na sequência aparecem o custo do crédito (8,7), a taxa de juros (8,6) e o cumprimento de obrigações acessórias (8,4).

Também foram destacados os impactos esperados do fim da escala 6×1 sobre custos e preços, ambos avaliados com nota 8,3, além da concorrência com grandes plataformas de comércio eletrônico nacionais e estrangeiras, a falta de mão de obra qualificada e a informalidade.

A Carta do Comércio 2026, elaborada pela entidade, defende uma agenda com reforma tributária simplificada, redução dos custos para contratação, ampliação do acesso ao crédito, qualificação profissional, igualdade de condições entre empresas brasileiras e plataformas internacionais, além de investimentos em infraestrutura.

Pontos de convergência e divergências com o novo governo

A análise comparativa entre as propostas do governo reeleito e as demandas apresentadas pelos empresários aponta convergência em temas como crédito, infraestrutura, digitalização e turismo.

O programa de governo prevê medidas como redução sustentada dos juros, fortalecimento de fundos garantidores, iniciativas de apoio a pequenos negócios e investimentos por meio de programas federais de infraestrutura.

Por outro lado, existem divergências em temas considerados prioritários pelo comércio catarinense. Entre eles estão a mudança na jornada de trabalho, a desoneração da folha de pagamentos e a tributação das plataformas estrangeiras.

A Fecomércio SC defende que qualquer alteração na escala 6×1 seja acompanhada de medidas para reduzir impactos sobre os custos das empresas e preservar empregos. Segundo estudo da entidade, a mudança pode representar a perda de cerca de 27,4 mil postos formais de trabalho em Santa Catarina.

Congresso terá papel decisivo nas negociações

O novo governo deverá administrar um Congresso Nacional mais fragmentado e com forte presença da oposição. O PL terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares, e também a maior representação no Senado, com 28 cadeiras.

Nesse cenário, projetos considerados estratégicos dependerão de articulação política e construção de acordos com partidos do centro.

Para o setor produtivo catarinense, os principais desafios do próximo mandato serão transformar propostas em medidas práticas, especialmente nas áreas tributária, trabalhista e econômica.

A expectativa é que o diálogo entre governo federal, Congresso, entidades empresariais e representantes estaduais seja fundamental para garantir avanços em áreas consideradas essenciais para a geração de empregos e o desenvolvimento econômico.

Imagem: reprodução / Inteligência artificial

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