Pesquisa aponta que 28% dos apostadores já recorreram ou cogitaram medidas extremas para continuar jogando

A necessidade de conseguir dinheiro para continuar apostando tem levado parte dos jogadores brasileiros a considerar medidas que podem agravar os prejuízos financeiros e provocar conflitos familiares. Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 28% dos apostadores afirmam já ter recorrido ou pensado em recorrer a medidas extremas para obter recursos destinados aos jogos online.

Entre as atitudes mencionadas, 12% dos entrevistados citam empréstimos. Outros 8% afirmam ter vendido ou considerado vender bens sem o consentimento da família. O mesmo percentual admite ter utilizado ou cogitado utilizar cartões de terceiros sem autorização.

Os dados indicam que, para alguns apostadores, os recursos disponíveis no orçamento deixam de ser suficientes para sustentar o hábito, levando à contratação de dívidas e ao comprometimento do patrimônio familiar.

Dívidas e prejuízos financeiros

O uso de empréstimos para financiar apostas pode ampliar as perdas, já que os valores continuam sujeitos a juros e parcelas mesmo quando o dinheiro é perdido nos jogos. O risco aumenta quando o jogador aposta novamente na tentativa de recuperar prejuízos anteriores.

A pesquisa aponta que 31% dos entrevistados começaram a apostar pela expectativa de ganhar dinheiro fácil e rápido. Outros 15% afirmam que buscavam recursos para pagar dívidas.

Os impactos financeiros também aparecem em outros indicadores do levantamento. Um em cada quatro apostadores já deixou alguma conta sem pagar para utilizar o dinheiro nos jogos, enquanto 24% afirmam ter ficado com o nome negativado em razão das apostas.

Além disso, 43% relatam ter aberto mão de algum consumo cotidiano para continuar jogando, incluindo despesas com alimentação, vestuário, internet, contas básicas e atividades de lazer em família.

Patrimônio e relações familiares

A venda de bens sem autorização e o uso indevido de cartões de terceiros podem ampliar as consequências das apostas para além do próprio jogador. Essas atitudes podem gerar dívidas, comprometer o orçamento doméstico e prejudicar a confiança entre familiares.

O levantamento também mostra que o gasto médio mensal com jogos online chegou a 213 reais em 2026, alta de aproximadamente 14% em relação ao ano anterior. Além disso, 23% dos apostadores reconhecem já ter utilizado recursos que comprometeram a renda ou o bem-estar financeiro.

Os resultados reforçam a importância de observar os sinais de perda de controle sobre os gastos. Quando as apostas passam a comprometer despesas essenciais, gerar dívidas ou levar à utilização de recursos de terceiros, a situação exige atenção.

Interromper novos depósitos e buscar apoio familiar, financeiro ou profissional são medidas que podem ajudar a evitar o agravamento dos prejuízos.

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