Guaramirim: Família ainda espera justiça por jovem morto no trânsito por motorista bêbado em 2022

Hoje, 17 de outubro, o Movimento Marcha do Silêncio, amigos e familiares do jovem David Wilhan Chaves fizeram um novo manifesto para marcar os quatro anos do trágico acidente que tirou a vida dele, na noite de 15 de outubro de 2022, no KM 33 da Rodovia SC108, próximo a Braspress, em Guaramirim. Várias pessoas se reuniram no mesmo local onde ele perdeu a vida. A família de David, o pai, a mãe e uma irmã, não aguentaram continuar morando na mesma região da morte do filho e se mudaram para o estado de São Paulo. A reportagem da RBN esteve no local e conversou na manhã de hoje com a Coordenadora da Marcha do Silêncio, Sueli Mader, que fez um desabafo em nome da família. (ouça no player abaixo)

David, de 22 anos, trabalhava como motoboy na entrega de lanches e pilotava uma motocicleta Yamaha no sentido Guaramirim a Massaranduba, quando foi atingido frontalmente pelo veículo Fiat Linea que invadiu a pista contrária, por volta da 00h30m.

Segundo informações do inquérito policial, o motorista, de 23 anos, tentou fugir do local, mas foi interceptado por populares, que o seguraram até a chegada da Polícia Militar. No teste do bafômetro constatou-se que estava bêbado, com 0,65mg/L de álcool no sangue. Ele chegou a ser preso no começo das investigações, mas agora responde o processo em liberdade.

PROCEDIMENTOS

A reportagem da RBN conversou com o advogado que assiste a família, Alex Sandro Zanetti, que também atua como assistente de acusação do Ministério Público. Segundo ele, após a conclusão do inquérito policial, conduzido pela polícia civil, o Ministério Público, ofereceu denúncia contra o motorista, requerendo sua condenação pelos crimes previstos no artigo 121, caput, do  Código Penal (homicídio), e os previstos no artigo 306, parágrafo 1º, inciso 1º, e artigo 305,  do Código de Trânsito Brasileiro, por ter se evadido do local do acidente, sem prestar socorro.

O Ministério Público entendeu que, por estar embriagado e velocidade incompatível com a via, o réu, autor do fato, assumiu o risco de provocar um acidente com morte, caracterizando homicídio com dolo eventual.

Zanetti explica que desde o acidente, vários procedimentos foram realizados, com oitivas de testemunhas, novas diligências e o depoimento do réu.  Em novembro de 2024, as partes apresentaram as alegações finais e o Ministério Público reafirmou seu posicionamento como homicídio com dolo eventual.  Em março deste ano (2025), o juízo decidiu por pronunciar o acusado, autor dos fatos, determinado que o seu julgamento fosse realizado pelo júri popular. Porém, a defesa do réu não concordou com o pronunciamento e apresentou recurso contra a decisão no Tribunal de Justiça, na tentativa de reverter a decisão pelo júri popular.  No entanto, o recurso foi negado e agora a defesa aguarda apenas a marcação da data de realização para que o julgamento do motorista ocorra no tribunal do júri. Até lá, o réu segue em liberdade.

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