Chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos, períodos prolongados de estiagem, ondas de calor e condições favoráveis para a ocorrência de incêndios florestais estão entre os eventos climáticos que podem ganhar força no Brasil nos próximos meses. O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que destaca que os impactos devem variar conforme cada região do país.
De acordo com projeções do Centro de Previsão Climática (CPC), existe alta probabilidade de um episódio de El Niño de forte intensidade entre 2026 e 2027. As estimativas apontam possibilidade de que o fenômeno supere alguns dos eventos registrados desde 1950, com alterações na temperatura dos oceanos que podem ultrapassar 2,5°C.
Segundo o INMET, os efeitos do El Niño não ocorrem da mesma forma em todo o território brasileiro. O fenômeno modifica a circulação atmosférica em grande escala e interfere nos sistemas meteorológicos que atuam em cada região.
“O que diferencia os impactos do El Niño em cada região do Brasil é a forma como o fenômeno modifica a circulação atmosférica de grande escala e como essas alterações interagem com os sistemas meteorológicos que atuam em cada região”, informou o instituto.
Além dos impactos para a população, o cenário também representa preocupação para o setor industrial. Eventos extremos podem afetar a segurança dos trabalhadores, instalações, transporte de mercadorias, fornecimento de matérias-primas e a continuidade das operações.
Para auxiliar empresas na prevenção e resposta a esses eventos, o Serviço Social da Indústria (SESI) disponibiliza protocolos para situações de inundações, secas e queimadas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também reúne orientações para que empresas incluam os riscos climáticos em decisões relacionadas a investimentos, operações e cadeias de fornecimento.
Segundo o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mol, a preparação antecipada é fundamental para reduzir prejuízos.
“A chegada da primavera reforça um alerta que a indústria não pode ignorar. Já vimos eventos extremos comprometerem a segurança dos trabalhadores, interromperem operações e afetarem cadeias produtivas. Os protocolos ajudam as empresas a se prepararem antes da emergência, organizarem a resposta e reduzirem os impactos sobre as pessoas e a produção”, afirmou.
Eventos recentes mostram impactos na economia
Os efeitos dos eventos climáticos extremos já foram sentidos pela indústria brasileira. Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, os municípios afetados concentravam milhares de indústrias e trabalhadores, além de provocarem dificuldades no transporte, acesso às empresas e circulação de produtos e insumos.
A situação levou empresas a interromperem atividades e mostrou a necessidade de planos de emergência para lidar com situações de crise, desde a proteção das instalações até a retomada das operações.
Outro exemplo ocorreu na Região Norte, onde uma forte estiagem em 2023 afetou a logística e o abastecimento. A redução dos níveis dos rios comprometeu o transporte de mercadorias e matérias-primas, especialmente em áreas que dependem do transporte hidroviário.
Na Zona Franca de Manaus, a baixa dos rios Negro e Solimões dificultou o recebimento de insumos e o escoamento da produção, aumentando custos e exigindo adaptações das empresas.
Protocolos orientam empresas diante dos riscos
Os protocolos desenvolvidos pelo SESI orientam as empresas sobre como identificar vulnerabilidades e criar planos de resposta para situações de emergência.
No caso das inundações, as recomendações incluem avaliar riscos para estruturas físicas, equipamentos, instalações elétricas, áreas de armazenamento, acesso de funcionários e transporte de produtos.
Também são indicadas medidas como definição de rotas de evacuação, criação de canais de comunicação, treinamento das equipes e planejamento para retomada das atividades após o evento.
Para períodos de seca e queimadas, o monitoramento envolve fatores como temperatura, umidade do ar, focos de calor, qualidade do ar e disponibilidade de água. As orientações incluem integração com órgãos como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Sistema Único de Saúde (SUS).
Mudanças climáticas exigem planejamento das empresas
Além dos protocolos de emergência, a CNI lançou um guia para auxiliar a indústria na adaptação às mudanças climáticas. O documento orienta empresas a considerar riscos ambientais, regulatórios, tecnológicos e de mercado nas decisões estratégicas.
Entre as recomendações estão investimentos em infraestrutura mais resistente, uso eficiente da água, diversificação de fornecedores e planejamento de rotas alternativas para evitar impactos em períodos de seca ou excesso de chuvas.
O setor industrial também é orientado a utilizar dados climáticos e informações de órgãos oficiais para antecipar riscos e tomar decisões com maior segurança.
Para representantes do SESI, os eventos climáticos recentes reforçam a necessidade de preparação conjunta entre empresas, órgãos públicos e serviços de emergência para proteger trabalhadores e garantir a continuidade das atividades econômicas.
