Economia de Santa Catarina recua 1,3% em julho e interrompe seis meses de alta

A economia de Santa Catarina perdeu força em julho e interrompeu uma sequência de seis meses consecutivos de crescimento. O Índice de Atividade Econômica Regional de Santa Catarina (IBCR-SC), considerado uma prévia do PIB, recuou 1,3% na comparação com junho.

O resultado representa a maior queda mensal registrada no Estado desde abril de 2025, quando a retração chegou a 2,2%. O desempenho catarinense também ficou abaixo do registrado no país, que teve recuo de 0,2% no mesmo período.

Os dados foram analisados pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), que avalia o resultado como parte de um processo de desaceleração da atividade econômica. Entre os fatores apontados estão os efeitos da taxa básica de juros, a Selic, sobre o crédito e o nível de comprometimento da renda das famílias.

Para a entidade, os juros elevados dificultam tanto os investimentos das empresas quanto o consumo das famílias, reduzindo o ritmo da economia.

O impacto aparece nos principais setores acompanhados pelo indicador. O volume de vendas do comércio varejista ampliado caiu 1,2% em julho, enquanto o setor de serviços registrou retração de 0,9%. Já a produção industrial ficou praticamente estável, com variação negativa de apenas 0,02%.

Apesar da queda no mês, o cenário muda quando a comparação é feita com julho de 2025. Nesse intervalo, a atividade econômica de Santa Catarina ainda apresenta crescimento de 1,6%.

No acumulado dos 12 meses encerrados em julho, o Estado também registra alta de 1,6%, ligeiramente acima do resultado nacional, que ficou em 1,5%.

A avaliação da FIESC, no entanto, é de que os números mostram uma perda gradual de dinamismo. O desempenho mais moderado do comércio e dos serviços, somado à pouca reação da indústria, aponta para um cenário de crescimento mais lento na segunda metade do ano.

A entidade estima que o ritmo da economia catarinense permaneça próximo de 2% até o fim de 2026, diante do endividamento das famílias e da manutenção da Selic em níveis considerados elevados.

Para Santa Catarina, o resultado de julho acende um sinal de atenção: mesmo com crescimento quando comparado ao ano passado, a economia estadual começa a sentir de forma mais evidente os efeitos do crédito mais caro e da redução do ritmo de consumo e produção.

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