As compras em sites e marketplaces estrangeiros estão cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros. Um levantamento da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, aponta que 61% dos consumidores digitais compraram pelo menos um produto importado nos últimos 12 meses.
O percentual representa cerca de 81,2 milhões de pessoas, 13,1 milhões a mais do que no levantamento anterior.
Entre as plataformas mais utilizadas aparecem Shopee, com 73% das citações, Shein, com 50%, Amazon e Mercado Livre, ambos com 44%. AliExpress, com 25%, e Temu, com 15%, completam o grupo das principais plataformas mencionadas.
Roupas lideram as compras
Os produtos relacionados a vestuário e uso pessoal estão entre os mais procurados pelos consumidores brasileiros:
- Roupas: 45%;
- Acessórios de moda: 28%;
- Calçados: 25%;
- Cosméticos e perfumes: 25%;
- Acessórios para celulares e informática: 22%.
O preço mais baixo aparece como o principal fator para a escolha de uma plataforma internacional, citado por 39% dos entrevistados. Na sequência estão a confiança na plataforma e o valor do frete, ambos com 37%, além da possibilidade de encontrar produtos que não estão disponíveis no mercado brasileiro, mencionada por 32%.
As redes sociais são a principal porta de entrada para conhecer essas plataformas, apontadas por 41% dos consumidores. Anúncios na internet aparecem com 40% e buscas no Google, com 37%.
Inteligência artificial também influencia compras
A pesquisa mostra ainda uma mudança no comportamento dos consumidores: 15% já utilizam ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini, Claude e DeepSeek, para descobrir produtos ou lojas internacionais.
O percentual sobe para 23% entre consumidores das classes A e B e chega a 20% entre os homens.
PIX é o principal meio de pagamento
As compras internacionais ocorrem, em sua maioria, com frequência mensal. 41% dos consumidores afirmam comprar pelo menos uma vez por mês, enquanto a média foi de quatro pedidos nos três meses anteriores.
O valor médio da última compra internacional ficou em R$ 188, abaixo dos R$ 225 registrados nas compras em sites brasileiros.
Na hora de pagar, o PIX lidera, utilizado por 61% dos entrevistados, seguido pelo cartão de crédito, com 52%. Entre os consumidores da Geração Z, o PIX chega a 76%.
Imposto pesa na decisão
A tributação das compras internacionais também aparece entre os principais pontos de discussão. 58% dos entrevistados discordam da cobrança de 20% de imposto de importação, enquanto 30% consideram que a medida contribui para equilibrar a concorrência com o comércio nacional.
Para 45%, comprar no exterior só compensa em algumas situações. Outros 20% afirmam que a compra internacional continua valendo a pena.
Apesar disso, o levantamento indica que o consumidor brasileiro não ignora o comércio nacional. 61% afirmam que dariam preferência a sites brasileiros se encontrassem preços e variedade semelhantes.
Além disso, 53% sempre verificam se o produto está disponível no Brasil antes de comprar no exterior, enquanto 49% pesquisam preços em lojas nacionais.
Entrega rápida pode fazer consumidor pagar mais
O tempo de entrega também pesa na escolha. Diante da possibilidade de receber um produto comprado no Brasil em até três dias, pagando até 10% a mais, 33% dos consumidores afirmam que escolheriam a opção nacional pela rapidez.
Outros 46% dizem que a decisão dependeria da necessidade naquele momento, enquanto 17% prefeririam esperar entre 20 e 30 dias pela encomenda internacional para economizar.
Mesmo com as vantagens percebidas, 37% dos consumidores tiveram algum problema em compras internacionais no último ano. Os principais foram falta de suporte ao cliente e atrasos na entrega.
Ainda assim, a avaliação geral permanece positiva: 81% dos entrevistados se declararam satisfeitos ou muito satisfeitos com as compras realizadas em plataformas internacionais.
