As pequenas indústrias brasileiras apresentaram melhora no desempenho entre abril e junho de 2026, interrompendo a sequência de resultados mais fracos registrada no início do ano. É o que aponta o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O índice que mede o desempenho das empresas de pequeno porte avançou 1,5 ponto em relação ao primeiro trimestre, chegando a 45,2 pontos. O resultado representa uma recuperação após o pior desempenho registrado desde a pandemia da Covid-19 e supera a média histórica para o período, que é de 43,1 pontos.
O indicador considera fatores como o volume de produção, o nível de utilização da capacidade instalada e a evolução do número de empregados. A escala varia de zero a 100 pontos, sendo que quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho das empresas.
Situação financeira ainda inspira cuidados
Apesar da melhora na atividade, a saúde financeira das pequenas indústrias segue pressionada. O índice que avalia a situação financeira avançou apenas 0,4 ponto, alcançando 39,4 pontos.
A pesquisa leva em consideração aspectos como o acesso ao crédito, a margem de lucro operacional e a satisfação dos empresários com as finanças do negócio.
Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, as pequenas empresas continuam enfrentando dificuldades para obter financiamento, o que limita investimentos e compromete o crescimento.
Ele destaca que esse cenário afeta toda a cadeia produtiva, já que muitas pequenas indústrias fornecem matérias-primas e componentes para empresas de maior porte. Com menor capacidade de investir ou ampliar a produção, essas empresas acabam reduzindo sua competitividade e impactando outros segmentos da economia.
Desafios continuam no radar
Além da dificuldade para conseguir crédito, os empresários apontam outros obstáculos que continuam comprometendo a recuperação do setor. Entre eles estão:
- elevada carga tributária;
- juros elevados;
- aumento no custo das matérias-primas;
- escassez de mão de obra qualificada e não qualificada;
- concorrência desleal provocada pela informalidade e pelo contrabando;
- excesso de burocracia.
Empresários seguem cautelosos
Mesmo com a melhora dos indicadores, o nível de confiança permanece baixo.
Em julho, o índice de confiança das pequenas indústrias marcou 46,2 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de pessimismo. O setor acumula 20 meses consecutivos de baixa confiança.
As expectativas para os próximos meses também seguem moderadas. O índice de perspectivas ficou em 47,5 pontos, refletindo cautela dos empresários quanto aos investimentos, à geração de empregos e ao comportamento da demanda ao longo do segundo semestre de 2026.
