Acordo entre Mercosul e Singapura abre novas oportunidades para exportações de Santa Catarina

O Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Singapura entra oficialmente em vigor para o Brasil nesta sexta-feira, 1º de agosto, marcando um novo capítulo nas relações comerciais do bloco com a Ásia. Publicado no Diário Oficial da União, o tratado é considerado estratégico para ampliar mercados e fortalecer a competitividade da indústria brasileira, especialmente em estados exportadores como Santa Catarina.

Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o acordo chega em um momento importante para diversificar destinos das exportações catarinenses, diante das mudanças no comércio internacional e das dificuldades impostas por barreiras comerciais em alguns mercados.

A presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, destaca que, embora a proteína animal continue sendo um dos principais produtos exportados pelo estado, outros setores também podem ganhar espaço.

“Santa Catarina tem na proteína animal um pilar de exportação consolidado, mas precisamos olhar também para segmentos altamente competitivos, como madeira e móveis. Em um cenário de barreiras comerciais e dos impactos do ‘tarifaço’, o acordo abre uma nova porta para diversificarmos mercados e ampliarmos nossa presença no Sudeste Asiático com regras claras e maior previsibilidade”, afirmou.

Singapura como porta de entrada para a Ásia

O tratado é o primeiro acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e um país asiático. Além do mercado de Singapura, o acordo é visto como uma oportunidade de acesso ao Sudeste Asiático, uma das regiões mais dinâmicas da economia mundial.

O documento estabelece regras modernas para comércio de bens e serviços, investimentos, compras governamentais, comércio eletrônico e facilitação de negócios, oferecendo maior segurança jurídica para empresas interessadas em expandir suas operações internacionais.

Segundo Sarah Prado Chicrala, chefe do Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Singapura, o principal benefício do acordo vai além da redução de tarifas.

“A principal vantagem do acordo para o Brasil e para a indústria nacional não é a eliminação tarifária imediata. O diferencial está na segurança jurídica, na redução de custos transacionais e no acesso a disciplinas modernas que abrangem comércio de serviços, compras governamentais e investimentos.”

Indústria brasileira ganha competitividade

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o acordo fortalece a inserção internacional do Brasil ao aproximar o país das cadeias globais de valor.

Para o especialista da entidade, Marcus Silva, a entrada em vigor do tratado representa um avanço histórico para o setor produtivo.

“Além de assegurar acesso a um dos principais hubs logísticos e financeiros do mundo, o acordo oferece previsibilidade e mecanismos que favorecem a competitividade da indústria brasileira.”

Santa Catarina pode ampliar exportações

Com forte presença nos setores de carnes, madeira, móveis, papel, máquinas e equipamentos, Santa Catarina tem potencial para ampliar sua participação no mercado asiático. A expectativa da indústria é de que o novo acordo facilite a abertura de negócios, reduza custos operacionais e incentive novos investimentos, fortalecendo a presença dos produtos catarinenses em uma região que concentra alguns dos mercados consumidores com maior crescimento no mundo.

Por: Renato Santos

Imagem: Fiesc

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