O cartão de crédito se consolidou como o principal motivo de restrição ao crédito no Brasil. É o que revela uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), do SPC Brasil e da Offerwise Pesquisas, que aponta um aumento expressivo das dívidas bancárias entre os consumidores brasileiros.
Segundo o levantamento, 42% dos inadimplentes possuem pendências relacionadas ao cartão de crédito, um crescimento de 18 pontos percentuais em comparação com o ano passado. Na sequência aparecem os empréstimos bancários e financiamentos, citados por 26% dos entrevistados, e o crediário, com 23%. O cheque especial também figura entre os principais fatores de endividamento, atingindo 16% dos consumidores.
O estudo mostra que, diante do orçamento apertado, muitas famílias passaram a utilizar o crédito como complemento da renda. Com isso, o acúmulo de juros acaba dificultando a quitação das dívidas e aumenta o número de pessoas com restrições financeiras.
Contas básicas continuam sendo prioridade
Mesmo entre os consumidores endividados, as despesas consideradas essenciais seguem recebendo prioridade. A conta de internet é a mais preservada, sendo paga em dia por 68% dos entrevistados. Em seguida aparecem água e energia elétrica (63%), telefone (56%), TV por assinatura (46%) e o próprio cartão de crédito (41%).
Já entre as contas que apresentam atraso, a telefonia lidera o ranking, com 13%, seguida pelos empréstimos bancários (12%) e por cartões de crédito, contas de água e luz e IPTU, todos com 11%.
Dívidas que demoram mais para serem quitadas
A pesquisa também identificou quais compromissos permanecem por mais tempo sem pagamento. As mensalidades de educação, incluindo escolas e FIES, registram a maior média de atraso, chegando a 15 meses.
Na sequência aparecem os empréstimos bancários e cartões de crédito, com média de 13 meses, além de crediários e IPTU, que acumulam aproximadamente 12 meses de atraso.
Por outro lado, contas como água, energia, financiamento imobiliário e condomínio costumam ser regularizadas mais rapidamente para evitar cortes de serviços ou outras consequências imediatas.
Para as entidades responsáveis pelo levantamento, os dados mostram que o consumidor está priorizando despesas essenciais para manter a rotina da família, enquanto as dívidas financeiras acabam sendo postergadas por mais tempo, agravando o cenário de inadimplência.
A pesquisa ouviu 609 consumidores com contas em atraso há mais de três meses, em todas as capitais brasileiras, entre os dias 6 e 17 de março de 2026.
