O governo federal intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em reunião realizada com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, autoridades brasileiras voltaram a classificar como injustificada a proposta de sobretaxas e defenderam a continuidade do diálogo entre os dois países.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), este foi o quinto encontro entre representantes brasileiros e norte-americanos desde maio, quando os governos decidiram criar um grupo de trabalho para tratar das relações comerciais bilaterais.
O governo brasileiro afirma que não há fundamentos técnicos que justifiquem a adoção das novas barreiras comerciais e reforçou que continuará buscando uma solução negociada. A decisão final do governo norte-americano é esperada para esta quarta-feira (15), quando deverá ser divulgada a lista definitiva dos produtos que poderão ser atingidos pelas tarifas.
As tensões comerciais aumentaram após os Estados Unidos abrirem uma investigação contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da legislação comercial americana. Entre os pontos questionados estão políticas relacionadas ao comércio digital, o funcionamento do sistema de pagamentos Pix, questões de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento.
Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a medida sem justificativa e já estuda uma série de ações caso as sobretaxas sejam confirmadas. Entre elas está a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permitirá ao Brasil adotar tarifas proporcionais sobre produtos norte-americanos, utilizando o mecanismo como instrumento de negociação.
Além disso, o governo, em conjunto com representantes do setor produtivo, prepara contestações jurídicas tanto na Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto na Justiça dos Estados Unidos, buscando reverter a cobrança das novas tarifas.
Outra frente em estudo envolve medidas de apoio aos setores mais afetados. A equipe econômica avalia a edição de medidas provisórias para oferecer suporte às empresas exportadoras brasileiras que possam sofrer perdas caso as sanções entrem em vigor.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, que representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos, poderão ser atingidos pelas novas tarifas.
Entre os produtos que estão na lista de possíveis sobretaxas estão açúcar bruto, tabaco, ferro-gusa, alumínio, molduras de madeira, álcool etílico, aeronaves, produtos agropecuários e diversos insumos industriais.
Enquanto aguarda o posicionamento oficial do governo norte-americano, o Brasil mantém as negociações diplomáticas e reforça que buscará preservar a relação comercial entre os dois países, sem descartar medidas de retaliação e ações judiciais para proteger os interesses dos exportadores brasileiros.
