Fecomércio SC defende cautela em debate sobre redução da jornada de trabalho

A proposta de redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários continua em discussão no Brasil e divide opiniões entre trabalhadores, empresários e especialistas. Em nota, a Fecomércio SC afirma que a medida exige uma análise cuidadosa para evitar impactos negativos sobre a economia, o mercado de trabalho e a competitividade das empresas.

Segundo a entidade, embora a busca por mais qualidade de vida para os trabalhadores seja legítima, uma mudança dessa magnitude também representa desafios importantes para o setor produtivo.

A Fecomércio lembra que, desde a Constituição Federal de 1988, a jornada semanal é limitada a 44 horas, modelo que serve de base para escalas como a chamada 6×1. Na avaliação da entidade, uma alteração desse limite por meio de mudança constitucional pode provocar reflexos diretos na produtividade, na empregabilidade e na organização das empresas.

Outro ponto destacado é o aumento dos custos para os empregadores. De acordo com a federação, a redução da jornada sem corte proporcional dos salários tende a elevar a folha de pagamento e exigir adaptações nas escalas de trabalho, novas contratações, mudanças nos horários de funcionamento e, em alguns casos, até reajustes nos preços cobrados dos consumidores.

Para a Fecomércio SC, uma das principais dúvidas é se a proposta realmente estimulará a criação de novos empregos ou se poderá produzir o efeito contrário, reduzindo contratações e até provocando demissões, especialmente dependendo da forma como a medida vier a ser implementada.

A entidade também alerta que os impactos não serão iguais para todos os segmentos da economia. Setores com maior utilização de mão de obra, como comércio e serviços, podem enfrentar dificuldades maiores para absorver os novos custos. Pequenas e médias empresas, segundo a federação, tendem a ser as mais afetadas, já que possuem menor capacidade financeira para realizar adaptações sem comprometer a operação.

A Fecomércio SC ressalta ainda que experiências internacionais mostram que mudanças na jornada de trabalho exigem planejamento, períodos de transição e avaliações constantes dos efeitos econômicos antes de serem implementadas em larga escala.

Como alternativa, a entidade defende que a discussão ocorra por meio das negociações coletivas entre empregadores e trabalhadores. A federação lembra que a Reforma Trabalhista de 2017 fortaleceu o princípio do negociado sobre o legislado, permitindo que acordos sejam ajustados de acordo com as características de cada setor e região.

Na avaliação da Fecomércio SC, esse é o caminho mais equilibrado para conciliar melhores condições de trabalho, sustentabilidade econômica das empresas e preservação dos empregos, evitando que uma mudança uniforme produza efeitos indesejados sobre a economia.

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