A inadimplência voltou a bater recorde no Brasil e atingiu 75,06 milhões de consumidores em maio de 2026, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O número representa 44,8% da população adulta brasileira com contas em atraso.
Na Região Sul, os dados chamam atenção. Embora apresente o menor percentual de inadimplentes entre as regiões do país, com 40,78% da população adulta negativada, foi a região que registrou uma das maiores altas no número de devedores em comparação com o mesmo período do ano passado.
O total de inadimplentes no Sul cresceu 9,86% em relação a maio de 2025, índice superior ao registrado no Nordeste (6,04%), Centro-Oeste (7,08%) e Sudeste (7,94%), ficando atrás apenas da Região Norte, que teve avanço de 9,52%.
Quando analisado o número de dívidas em atraso, o crescimento na Região Sul foi ainda mais expressivo. Houve aumento de 16,88% na comparação anual, o segundo maior percentual do país, atrás apenas da Região Norte, que registrou alta de 17,49%.
Em Santa Catarina, os números refletem um cenário de atenção. Apesar de o estado apresentar a menor taxa de desemprego do Brasil e um mercado de trabalho aquecido, o aumento do custo de vida, os juros elevados e o crescimento do endividamento das famílias têm pressionado o orçamento dos consumidores.
Segundo o levantamento, cada brasileiro inadimplente devia, em média, R$ 5.145,04 em maio e possuía débitos com cerca de 2,34 empresas credoras. Os bancos concentram a maior parte das dívidas, respondendo por 66,19% do total, seguidos pelos setores de água e energia elétrica (10,68%), outros segmentos (9,25%) e comércio (8,24%).
Os dados mostram ainda que 29,19% dos consumidores negativados possuem dívidas de até R$ 500. Quando consideradas dívidas de até R$ 1 mil, esse percentual sobe para 41,52%.
A faixa etária mais afetada pela inadimplência é a de 30 a 39 anos. São 18,23 milhões de brasileiros negativados nessa idade, o equivalente a 53,79% da população do grupo. Mulheres representam 51,34% dos inadimplentes e homens 48,66%.
Para especialistas do setor, o cenário exige cautela, especialmente em períodos de maior estímulo ao consumo, como o chamado “Super Junho”, marcado pelo Dia dos Namorados, festas juninas e movimentação econômica gerada pela Copa do Mundo. A combinação de renda pressionada, juros elevados e aumento do custo de vida pode levar ainda mais consumidores ao endividamento.
