Com pior abril da história, reincidência na inadimplência atinge 85,95% dos consumidores no Brasil

O Brasil registrou um cenário preocupante de inadimplência em abril de 2026. Dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil mostram que 85,95% das negativações feitas no período foram de consumidores reincidentes — ou seja, pessoas que já haviam aparecido nos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses.

O índice representa o pior abril da série histórica e evidencia a dificuldade crescente dos brasileiros em recuperar o equilíbrio financeiro. Entre os consumidores reincidentes, 68,53% ainda não haviam quitado dívidas antigas e acabaram negativados novamente. Outros 17,41% chegaram a sair do cadastro de inadimplentes, mas voltaram a ter o nome negativado em menos de um ano. Apenas 14,05% dos consumidores negativados em abril não tinham restrições no CPF nos últimos 12 meses.

Outro dado que chama atenção é a velocidade do endividamento. Segundo o levantamento, o tempo médio entre o vencimento de uma dívida e o surgimento de uma nova pendência foi de apenas 71 dias. Na prática, isso significa que, pouco mais de dois meses após entrar na inadimplência, o consumidor já acumula um novo débito em atraso.

Nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2026, o número de devedores reincidentes cresceu 15,05% na comparação com o mesmo período anterior.

De acordo com o presidente da CNDL, José César da Costa, os números mostram que a inadimplência deixou de ser um problema pontual para se tornar uma condição persistente entre muitas famílias brasileiras.

“O cenário atual da inadimplência no Brasil atinge patamares alarmantes, configurando um recorde histórico no mês de abril que reflete a fragilidade financeira das famílias. O dado mais preocupante é a velocidade do ciclo de endividamento”, afirmou.

Faixa etária de 30 a 39 anos lidera reincidência

O perfil dos consumidores reincidentes mostra que a faixa etária entre 30 e 39 anos concentra a maior parcela dos inadimplentes, representando 26,18% do total. Em relação ao gênero, as mulheres somam 54,40% dos registros, enquanto os homens representam 45,60%.

Os dados fazem parte do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, levantamento elaborado mensalmente pela CNDL e SPC Brasil para monitorar o comportamento da inadimplência no país.

Recuperação de crédito também apresenta piora

Além do avanço da reincidência, o Indicador de Recuperação de Crédito revelou uma redução no número de consumidores que conseguiram limpar o nome. Nos 12 meses encerrados em abril de 2026, houve queda de 2,92% na recuperação de crédito em comparação com o período anterior.

A maior retração ocorreu entre consumidores que levaram de quatro a cinco anos para quitar suas dívidas, grupo que registrou redução de 15,90%.

Entre os brasileiros que conseguiram sair da inadimplência, a faixa etária mais representativa foi a de 50 a 64 anos, com 24,75% dos casos. As mulheres correspondem a 51,02% dos consumidores recuperados, enquanto os homens representam 48,98%.

O valor médio pago para regularização das dívidas foi de R$ 2.176,99. Apesar disso, a maioria dos consumidores recuperados — 61,44% — quitou débitos de até R$ 500.

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, os indicadores revelam um ciclo contínuo de endividamento e dificuldades crescentes para a recuperação financeira das famílias.

“Estamos atravessando o pior abril da história para o crédito no país. Enquanto a reincidência dispara, a capacidade de recuperação apresenta queda. Isso mostra que o consumidor não consegue se manter fora do cadastro de inadimplentes após quitar suas dívidas”, alertou.

Inadimplência afeta quase metade da população adulta

Segundo o SPC Brasil, cerca de 44,69% da população adulta brasileira enfrenta algum tipo de inadimplência atualmente, reforçando o impacto do cenário econômico sobre o orçamento das famílias e o consumo no país.

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