O preço do feijão voltou a subir em Santa Catarina e preocupa consumidores e produtores. Dados divulgados no Boletim Agropecuário de maio, da Epagri/Cepa, mostram forte valorização do feijão-carioca e do feijão-preto, impulsionada principalmente pela redução da oferta nacional e pelos problemas climáticos que afetaram importantes regiões produtoras do país.
Em abril, o feijão-carioca registrou alta de 9,23% em relação ao mês anterior, chegando ao valor médio de R$ 259,29 por saca de 60 quilos. Já o feijão-preto teve aumento de 2,18%, sendo comercializado a R$ 159,43 por saca.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a valorização é ainda maior. O feijão-carioca acumula aumento superior a 50%, enquanto o feijão-preto teve alta acima de 11%.
Segundo a Epagri/Cepa, a principal causa da disparada nos preços é a queda na produção provocada pela estiagem, pela redução da área plantada e pelas perdas registradas nas lavouras do Sul do Brasil, especialmente no Paraná, maior produtor nacional.
Em Santa Catarina, a situação também preocupa. A primeira safra sofreu com geadas tardias, irregularidade nas chuvas e redução significativa da área cultivada. A produção estadual deve apresentar queda expressiva tanto na primeira quanto na segunda safra.
O analista João Rogério Alves, da Epagri/Cepa, avalia que o cenário deve manter os preços elevados nos próximos meses, já que a oferta continua restrita no mercado nacional.
As estimativas da Conab apontam retração de mais de 5% na produção brasileira de feijão no ciclo 2025/26. No Sul do país, a queda pode ultrapassar 28%, aumentando o risco de necessidade pontual de importações, principalmente de feijão-preto vindo da Argentina.
Além do feijão, o Boletim Agropecuário também destaca movimentações importantes em outras culturas catarinenses, como arroz, milho, soja, trigo, banana, cebola, alho e carnes, refletindo os impactos do clima e das oscilações do mercado no agronegócio estadual.
