Durante audiência pública realizada pela Comissão Especial que analisa a PEC 221/19, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu que mudanças na jornada de trabalho e na escala 6×1 sejam tratadas por meio de negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.
O posicionamento foi apresentado pelo presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI, Alexandre Furlan. Segundo ele, os diferentes setores da economia possuem características específicas, o que dificulta a adoção de uma regra única para todos os segmentos.
De acordo com Furlan, áreas como indústria, saúde, transporte, agricultura e setor financeiro operam de formas distintas e precisam de flexibilidade para ajustar jornadas conforme suas necessidades.
O representante da CNI destacou ainda que alguns setores industriais dependem diretamente da escala 6×1 para manter a produtividade. Ele citou exemplos como siderurgia, cerâmica e plástico, onde o desligamento de máquinas exige longos períodos e pode aumentar custos operacionais.
Representantes de outras entidades empresariais também participaram da audiência e defenderam um debate mais aprofundado sobre o tema. Entre as preocupações levantadas estão possíveis impactos na produtividade, aumento de custos para pequenas e médias empresas e reflexos econômicos ao consumidor.
A CNI afirmou que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, pode provocar aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. A entidade estima ainda que os custos do trabalho poderiam crescer em até R$ 267 bilhões em toda a economia.
Para a confederação, uma redução sustentável da jornada deve acontecer de forma gradual e acompanhada de investimentos em qualificação profissional, inovação, segurança jurídica e melhoria do ambiente de negócios.
