A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O requerimento solicita que o Coaf encaminhe relatórios de inteligência financeira (RIF) com detalhes das movimentações do investigado.
De autoria do senador Humberto Costa, o pedido cobre o período de janeiro de 2022 a março de 2026 e representa um novo avanço da comissão sobre o núcleo financeiro ligado ao Banco Master. A decisão se baseia em indícios considerados relevantes pela CPI. Dados do Coaf indicam que Zettel movimentou R$ 99,2 milhões em apenas sete meses — entre junho de 2021 e janeiro de 2022 — valor considerado incompatível com sua renda declarada.
Em média, foram R$ 14,1 milhões por mês, cerca de 200 vezes acima da renda mensal de R$ 66 mil informada pelo empresário. No período analisado, o relatório identificou R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos, demonstrando uma intensa movimentação de recursos.
O documento da CPI aponta ainda a possível existência de uma rede de operações envolvendo fundos de investimento e estruturas financeiras vinculadas ao Banco Master, que poderiam ter sido usadas para a circulação e ocultação de valores. A aprovação da quebra de sigilo ocorre em um cenário de cautela após decisões do Supremo Tribunal Federal que barraram medidas genéricas adotadas por comissões parlamentares. Para evitar nova anulação, o requerimento foi mais específico, com objeto definido e votação nominal, sendo aprovado por unanimidade.
Com a medida, a CPI passa a ter acesso a dados financeiros detalhados, considerados fundamentais para rastrear o fluxo de recursos e identificar possíveis conexões com o esquema investigado no entorno do Banco Master.
