Polícia conclui inquérito sobre morte do cão Orelha e envia caso à Justiça

Por: Alison Correa

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento de outro cachorro conhecido como Caramelo, ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis, no início deste ano. O resultado da investigação foi confirmado pelo governo do Estado e encaminhado ao Poder Judiciário nesta terça-feira (3), com a indicação dos responsáveis pelos maus-tratos.

De acordo com a corporação, os dois casos foram atribuídos a adolescentes. No entanto, o número de envolvidos e suas identidades não foram divulgados, em razão do sigilo previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que protege menores de 18 anos em procedimentos judiciais e policiais.

Orelha morreu no dia 4 de janeiro após ser brutalmente agredido. Ele era um cão comunitário que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava e recebia cuidados constantes de moradores da região, sendo considerado um verdadeiro mascote do bairro, um dos pontos turísticos mais conhecidos do Norte da Ilha.

Durante as investigações, a Polícia Civil analisou aproximadamente mil horas de imagens de câmeras de segurança da região. Apesar de não haver registros diretos do momento das agressões, outros episódios de violência ocorridos no mesmo período ajudaram a polícia a reconstruir os fatos e apontar os responsáveis.

Inicialmente, quatro adolescentes eram investigados. No entanto, um deles foi descartado da autoria após a conclusão de que não teve participação nas agressões, conforme o andamento do inquérito e os laudos periciais. Segundo a perícia, Orelha foi atingido na cabeça por um objeto contundente.

Além dos adolescentes, três adultos — dois pais e um tio de suspeitos — foram indiciados por coação de testemunha. Conforme a Polícia Civil, eles teriam tentado intimidar um vigilante de condomínio que possuía uma foto considerada importante para o esclarecimento do crime.

A tentativa de afogamento do cachorro Caramelo também foi relacionada ao mesmo grupo de adolescentes, ampliando a gravidade dos fatos investigados.

Moradores da Praia Brava relataram profunda comoção ao encontrarem Orelha ferido. O animal chegou a ser socorrido e levado ao veterinário, mas não resistiu aos ferimentos. Para a comunidade, ele era símbolo de convivência e carinho no bairro.

A médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o cachorro, descreveu Orelha como dócil, brincalhão e muito querido por moradores e turistas. Já o empresário Silvio Gasperin afirmou que a cena encontrada foi chocante, classificando o episódio como um ato de extrema crueldade.

Com o inquérito concluído, o caso agora segue para análise da Justiça, que deverá definir as medidas legais cabíveis contra os envolvidos.

Músicas, notícias, promoções exclusivas, coberturas de shows e eventos e ações publicitárias no rádio e em vídeos para todas as plataformas digitais!

© 2023 RBN 94,3 FM. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por GB Dev – Agência de Websites