Por: Alison Correa – Jaraguá do Sul, SC
O mês de janeiro é marcado pela campanha nacional Janeiro Roxo, voltada para conscientizar a população sobre a hanseníase, estimular o diagnóstico precoce e garantir tratamento adequado, além de combater o estigma ligado à doença. A iniciativa do Ministério da Saúde reforça a importância da Atenção Primária à Saúde como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para identificar, acompanhar e tratar a hanseníase de forma eficaz.

O que é hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Quando não diagnosticada e tratada a tempo, pode provocar incapacidades físicas permanentes. A transmissão ocorre principalmente pelo contato prolongado com pessoas infectadas não tratadas, geralmente por vias respiratórias. Após o início do tratamento adequado, a pessoa deixa de ser transmissora da doença.
O tratamento é feito por meio da Poliquimioterapia (PQT), fornecida gratuitamente pelo SUS, sendo altamente eficaz e curativa.
Sinais e sintomas que merecem atenção
O reconhecimento precoce é fundamental para evitar sequelas. Entre os sinais mais comuns estão:
- Manchas na pele esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas, com perda ou diminuição da sensibilidade;
- Dormência, formigamento ou perda de força em mãos e pés;
- Espessamento de nervos periféricos;
- Lesões na pele que não cicatrizam;
- Alterações na sudorese e queda de pelos nas áreas afetadas.
Onde buscar atendimento em Jaraguá do Sul
Ao notar qualquer sinal suspeito, a população deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Nas UBS, o usuário tem acesso a:
- Avaliação clínica inicial;
- Encaminhamento para confirmação diagnóstica, se necessário;
- Início e acompanhamento do tratamento pelo Programa Municipal de Hanseníase;
- Avaliação de contatos domiciliares;
- Orientações sobre autocuidado e prevenção de incapacidades.
O atendimento é gratuito, sigiloso e contínuo, garantindo cura e qualidade de vida para os pacientes.
Situação epidemiológica no município
Em Jaraguá do Sul, a hanseníase apresenta um comportamento oscilante ao longo dos anos. Nos anos de 2023 e 2025, foram registrados apenas um caso em cada período, indicando baixa ocorrência, mas evidenciando que a doença ainda circula na cidade.
A análise por sexo demonstra predominância do sexo masculino em quase todos os anos, com exceção de 2025, quando o único caso registrado foi feminino — um achado isolado, sem alterar o padrão epidemiológico.
Quanto à faixa etária, a maior concentração de casos ocorre entre adultos e idosos, especialmente entre 50 e 59 anos, seguida de 60 a 69 anos. Esse perfil evidencia o diagnóstico tardio e o caráter crônico da doença, reforçando a necessidade de intensificação das ações de vigilância, detecção precoce e acompanhamento clínico nesta população.
O Janeiro Roxo reforça o compromisso do SUS com a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública, por meio de vigilância ativa, atenção integral à saúde e disseminação de informação qualificada à população.
